As religiões antigas cultuavam deuses e deusas que permanecem no nosso imaginário. Suas histórias nos ajudam a entender comportamentos e nos vinculam continuamente. A Mitologia conta essas histórias e uma delas é a da deusa Lilith.
Lilith tem origem assírio-sumério-babilônica cujo nome significa demônio feminino ou espírito do vento. Há um texto judaico que cita “A mulher foi criada da terra para Adão e reclamou seus direitos dizendo que ela e ele eram iguais, pois ambos procederam da terra, e, portanto, não reconhecia a sua supremacia”.
A mulher era Lilith, que rejeitou Adão e saiu do Éden, iniciando uma jornada perigosa e malévola. Lilith se refugiou no Mar Vermelho, local conhecido como pertencente aos demônios, onde, com os mesmos, gerou tantos outros (as chamadas Lilims).
Rainha do submundo e na escuridão, é a deusa das trevas, soberana da lua e do encantamento. Vingativa e sanguinária, conhecia a magia e envenenava os adversários com ervas alucinógenas. Deusa dos ritos sombrios, rodeada de serpentes, provocava muito medo. Era tenebrosa e ameaçava o povo com seus golpes, como enviar demônios até a terra para atormentar os homens. Frequentava os locais mais mórbidos como as encruzilhadas e cemitérios.
Sua imagem era de uma mulher bela com cabelos longos, tinha um cão, possuía asas e pés em forma de garras. Por meio dessa imagem há o significado da mulher que é divina e instintiva ao mesmo tempo. Lilith é paradoxal e representa as forças instintivas como princípio feminino da vida, transformando com intensidade o que é preciso em caos, todavia faz sentir de onde provém toda a vida.
Descoberta pelo astrônomo alemão George Waltemath em 1897 como um corpo celeste, foi interpretada com influência obscura, destrutiva e fatal. Por isso, simbolicamente pode indicar uma fatalidade ou tragédia, algo maléfico ou problemático. Lilith corresponde ao apogeu da lua, que é o ponto da órbita mais afastado da Terra, reafirmando o mito: “Aquela que se afastou da terra celestial ou a Deusa que fugiu da Terra para a escuridão”.
Há relações de seu simbolismo astrológico com o signo de Câncer, pela referência imagética do caranguejo, habitante da água e da terra, ser do mundo primordial que surge das profundezas desconhecidas, e se introduz na vida com sentimentos fortes, difíceis de ignorar.
No mapa natal, Lilith manifesta a necessidade de igualdade e de expressar ideias e desejos. Indica onde há agressividade, principalmente quando um sentimento de rejeição é vivenciado, representando ao mesmo tempo as tentações e frustrações. Aparece como o arquétipo da mãe devoradora e como a representação das fantasias sexuais mais profundas, proporcionando mais erotismo e liberação ou proibição.
Sua função astrológica é exercida no plano emocional como uma válvula de escape usada para superar problemas pessoais, portanto é relacionada à criatividade. No signo e a casa onde estiver posicionada mostrará a área e a forma nas quais se vivencia a rejeição e a falta de reconhecimento; onde está o lado sombrio e sobretudo como se manifestam as impossibilidades. Sua posição indica também o potencial para assumir desejos ilegais.
Ambivalente, seus aspectos tanto evidenciam tendências para impedimentos como para despertar a consciência. Liberdade gera autonomia, mas pode levar ao fracasso se não for bem direcionada.
Lilith não necessita da figura do homem para manifestar seu poder. Ela é intransigente, firme e magnetiza a todos. Faz o que é proibido; alcança o que é impossível para a maioria da pessoas.
Encontrar com sua Lilith é se apropriar da sua força criativa, ser sua própria influencer e agir conforme seus desejos. Aprendizado para enxergar o seu lado sombrio e aceitá-lo.
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